A Necessidade da Humildade
Quando analisamos um conceito como humildade, pode ser informativo ver o que o tema não aborda. Em contraste com o que o mundo declararia, humildade não é um espetáculo.
O Salmista escreveu: "O humilde Ele guia na justiça, e o humilde Ele ensina o Seu caminho" (Sal. 25:9).
Em nossa sociedade, possivelmente não há tema mais importante a considerar do que a perspectiva cristã sobre orgulho e humildade. A cultura em que vivemos está saturada de celebrações de orgulho, incentivos ao orgulho e um desprezo geral por aqueles que demonstram verdadeira humildade.
Como em qualquer outra questão relacionada à vida e à piedade, nossa responsabilidade ao explorar esses temas é recorrer à Palavra de Deus. Um dos sinais de um cristão amadurecendo é a dependência infalível da Palavra de Deus tanto para as respostas quanto para os exemplos de que precisamos para viver uma vida fiel que agrade a Deus.
Embora possamos lembrar partes do que a Bíblia diz sobre questões específicas, o desejo de explorar as Escrituras em sua plenitud desempenha um papel em nosso crescimento e afeta diretamente o tema em questão: humildade. Com isso em mente, vamos explorar o que a Bíblia diz sobre humildade e examinar como ela se compara ao mundo ao nosso redor e, de fato, às nossas próprias atitudes.
Ao longo das Escrituras, humildade e orgulho são claramente definidos como opostos diametrais — uma atitude agrada a Deus, a outra é destrutiva e convida à ira de Deus. O Salmo 18, começando no versículo 25, traz as atitudes em comparação direta:
"Com os misericordiosos Tu te mostrarás misericordioso; com um homem inocente Você se mostrará inocente; com o puro Você se mostrará puro; e com os ardilosos Tu te mostrarás astuto. Pois salvará o povo humilde, mas fará cair olhares arrogantes."
Consequentemente, é importante entender a diferença entre essas duas atitudes opostas, tanto nas Escrituras quanto no mundo ao nosso redor. Humildade envolve várias características-chave e, em consonância com nossa discussão até aqui, o orgulho oferece uma perspectiva oposta.
Humildade Não É Um Espetáculo
Quando analisamos um conceito como humildade, pode ser informativo ver o que o tema não aborda. Em contraste com o que o mundo declararia, humildade não é um espetáculo.
Absalom "providenciou carros e cavalos, e cinquenta homens para correr à sua frente... (e) se levantavam cedo e ficavam ao lado do caminho para o portão" (2 Sam. 15:1-2a). Motivado pelo orgulho, ele buscava fazer um espetáculo para chamar atenção para si e incutir a ideia de sua importância em quem testemunhava aquilo. Absalom se colocou em uma posição de alta visibilidade para construir um público de seguidores, em vez de buscar servir de forma honesta e discreta.
Hoje testemunhamos atitudes semelhantes em várias áreas, sendo a mais óbvia provavelmente as redes sociais. Dominado pela ideia de "construir seguidores", esse produto tecnológico pode ter potencial evangelístico, mas está repleto de armadilhas. Os modelos de negócios que sustentam a própria existência das redes sociais são construídos sobre a promoção cada vez maior de atitudes egocêntricas e a denegração de ideais saudáveis e humildes.
Ao considerarmos que humildade não é um espetáculo — não uma atitude feita para chamar atenção para si mesmo — somos guiados para o que significa ser realmente bem-sucedido na vida. Revisitando o relato de Absalão, vemos que ele usou manipulação, divisão e destruição para conquistar o coração do povo — como muitos fazem hoje. No entanto, as Escrituras ensinam que ele certamente falhou em conquistar a aprovação de Deus. O sucesso significativo na vida não é determinado pelo sucesso do nosso "show" e pelo número de seguidores, mas pela nossa capacidade de ser obedientes e, assim, agradar a Deus.
Essa é, de fato, a conclusão a que Salomão chegou quando escreveu: "Ouçamos a conclusão de toda a questão: Temer a Deus e guardem os Seus mandamentos, pois isso é tudo do homem" (Ecl. 12:13). Humildade não é um espetáculo. É uma virtude que chama a atenção para Deus, em vez de para nós mesmos.
Humildade não é oportunista
Na vida dos fiéis, a humildade é uma virtude que busca servir aos outros para seu bem e para a glória de Deus. Embora essa virtude não exija autodepreciação, a Bíblia é clara sobre onde nossas prioridades devem se concentrar. Paulo nos ajuda a entender que humildade é o oposto de oportunista: "Nada se faça por ambição egoísta ou vanidade, mas que cada um valorize os outros melhor do que a si mesmo. Que cada um de vocês cuide não apenas de seus próprios interesses, mas também dos interesses dos outros" (Fil. 2:3-4). Embora devamos cuidar adequadamente de nós mesmos, devemos ter — e agir de acordo — com as necessidades e interesses dos outros.
Paulo continua a fornecer o exemplo supremo de humildade em sua explicação da mente de Cristo (Filipenses 2:5 e seguintes). Jesus humilhou-se plenamente à vontade de Seu Pai para que o homem fosse salvo e Jesus fosse exaltado como Senhor, Salvador e nosso exemplo perfeito no fim.
Hoje, vemos celebridades de todos os tipos (atores, políticos e líderes empresariais igualmente) usarem a aparência de humildade como uma oportunidade para disfarçar seu exercício de orgulho. Políticos que buscam votos organizam oportunidades para fotos em abrigos e refeitórios comunitários. Os atores dependem de seus publicitários para promover todos os eventos beneficentes que frequentam. Executivos corporativos exaltam seu "histórico ambiental" enquanto tomam ações que devastam a vida de seus funcionários, mas enriquecem seu próprio status e riqueza.
Para que não pensemos que somos imunes, considere onde as Escrituras alertam: "... não faças teus atos de caridade diante dos homens, para seres visto por eles..." (Mateus 6:1-4). A humildade exige atitudes e ações específicas daqueles que afirmam fé em Deus. Embora devamos realizar boas ações, buscando servir aqueles que precisam e encorajar as almas perturbadas ao nosso redor, o propósito não deve ser o reconhecimento que poderia vir desses esforços. Você já viu um irmão ou irmã apoiar um esforço digno só para depois ouvi-los expressar decepção por não terem sido mais adequadamente valorizados por sua contribuição?
Humildade é uma mentalidade que busca continuamente oportunidades para servir, fazendo-o com a atitude de Cristo quando lavou os pés de Seus discípulos. A grandeza da fé mede-se na disposição e prontidão para servir, não na visibilidade que tal serviço pode proporcionar.
Humildade não é autopromoção
Uma atitude de humildade é marcada pelo reconhecimento da nossa insignificância em comparação com a grandeza de Deus. Ainda mais importante, isso amadurece essa percepção em uma dependência completa do Senhor. Não é o desenvolvimento de uma atitude depreciativa em relação a nós mesmos. Afinal, somos feitos à semelhança de Deus (Gênesis 1:26). Embora Jesus conhecesse Seu poder, Ele também compreendia Seu papel na vontade de Seu Pai. Consequentemente, Ele continuamente apontou Seus seguidores para Deus durante todo o Seu ministério, dando crédito ao Todo-Poderoso.
A autopromoção, no contexto da humildade e do orgulho, pode significar mais do que buscar os elogios dos outros. Provavelmente podemos lembrar aqueles que ostentaram suas ações aparentemente dignas para chamar atenção, mas não devemos negligenciar o fato de que a humildade é, em sua essência, uma atitude governante. Considere o fariseu que subiu ao templo para orar (Lucas 18:10). A passagem nos conta sobre a gratidão do fariseu por não ser como os outros pecadores e como ele basicamente se parabenizou por ser bom (vers. 11-12). Note, porém, que essa parábola não indica que mais alguém (além de Deus) tenha ouvido a oração do fariseu. O ponto é este: falsa humildade pode ser autopromoção orgulhosa mesmo que sejamos nosso único público.
Quando reconhecemos a grandeza de Deus e nossa fraqueza comparativa, uma avaliação honesta dessa realidade deve ser uma experiência humilde. Pode até parecer natural afundar em uma conclusão desesperada sobre nosso próprio status de vida, exceto pelas garantias oferecidas pelas Escrituras. Enquanto Tiago nos informa que o orgulho produz todo tipo de dificuldade na vida (Tiago 4:1-5), ele também oferece uma notável segurança para aqueles que buscam uma vida de fé. "Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes" (v. 6) e "Humilhai-vos aos olhos do Senhor, e Ele vos elevará" (v. 10).
Humildade Não Busca Poder e Influência
A humildade dá a Deus o crédito por bênçãos, conquistas e oportunidades. Em um cristão fiel, essa mesma atitude então pede a Deus por mais do mesmo para continuar em uma vida de serviço. Isso é muito diferente de Tiago e João, que buscavam de Jesus posições de poder e importância no céu (Mc. 10:35 e seguintes).
Exemplos de relatos modernos sugerem que a falsa humildade, usada em busca de poder e influência, pode ter um impacto terrível na igreja. O pedido de Tiago e João a Jesus gerou conflito entre eles e os outros discípulos. Enquanto Jesus estava lá para intervir e instruir, hoje essa responsabilidade recai sobre aqueles que compartilham a Palavra de Deus quando tais situações surgem. Quando homens buscam o papel de ancião pelo poder que podem exercer, ou quando pregadores usam sua influência para manipular sua congregação, a atitude de humildade claramente foi abandonada. A virtude da humildade, portanto, exige não apenas o desenvolvimento dessa atitude em nós mesmos, mas também a capacidade de reconhecê-la naqueles ao nosso redor.
A garantia que podemos tirar do relato contínuo de Tiago e João é que eles cresceram espiritualmente através do desenvolvimento da humildade. As escrituras registram Tiago como o primeiro apóstolo que morreu pela fé (Atos 12:1–2), enquanto João é posteriormente reconhecido como um "pilar da igreja" (Gál. 2:9). A lição para nós é que, mesmo que antes fingimos ser humildes na esperança de aumentar nossa influência, humildade honesta e arrependimento podem gerar crescimento.
Humildade Não É Uma Conquista
Como a busca por uma vida fiel, humildade não é uma conquista a ser riscada de uma lista de afazeres. Humildade é um desejo contínuo e ações resultantes que vêm do reconhecimento da grandeza de Deus, da submissão à Sua vontade, de se ver honestamente em vez de exaltado, e de servir aos outros com amor. Para desenvolver essa virtude, devemos estar dispostos a ser ensináveis, o que, por sua vez, exige abertura à correção.
Devemos "receber com mansidão a palavra implantada, que pode salvar suas almas" (Tiago 1:21). Ao fazer isso, precisamos estar prontos para receber, analisar e implementar correções com uma perspectiva divina. Embora isso não exija que aceitemos todas as contribuições oferecidas, implica disposição para aprender com qualquer situação que encontramos. Um filho fiel de Deus ouvirá e se perguntará: "Há verdade nessa crítica?" "O que posso aprender com as informações que recebi?" E, mais importante, "O que a Palavra de Deus diz sobre o assunto?"
Em uma ocasião, Jesus disse a Pedro: "Fique atrás de mim, Satanás! Vocês são uma ofensa para Mim, pois não se lembram das coisas de Deus, mas das coisas dos homens" (Mateus 16:23). Embora a Bíblia não registre a reação de Pedro a essas palavras, é claro, dado seu papel futuro na igreja primitiva, que ele ouviu, analisou e aplicou a correção de Jesus de alguma forma. Com esse exemplo, olhamos para nós mesmos, entendendo que recusar correção praticamente garante uma vida de crescimento limitado para nós.
Em um mundo que constantemente incentiva a autopromoção, o reconhecimento pessoal e a busca por influência, Deus chama Seu povo a trilhar um caminho diferente. A verdadeira humildade não é fraqueza, autodepreciação ou uma apresentação pública feita para impressionar os outros. Na verdade, é um reconhecimento contínuo da grandeza de Deus, uma disposição para se submeter à Sua vontade e um desejo sincero de servir aos outros para Sua glória.
A humildade reconhece que toda bênção, oportunidade e realização vêm, em última análise, do Senhor. À medida que crescemos na fé, devemos examinar continuamente nossos motivos, aceitar a correção com mansidão e seguir o exemplo de Cristo, que se humilhou completamente à vontade do Pai. Quando isso acontece, a promessa de Deus permanece firme: Ele dá graça aos humildes e os eleva em Seu tempo.
Autor: Martin Miller
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